Será que precisamos mesmo de uma 'Super Espuma' nos treinos de rodagem?
Há uns anos, quando comecei a levar a corrida a sério em 2016, a equação era simples: sapatilhas leves e duras para competir, e sapatos pesados e "mortos" para treinar. O EVA antigo fazia o trabalho, mas deixava marcas. Acordávamos na manhã seguinte com as pernas pesadas, como se tivéssemos corrido com tijolos nos pés. Era o preço a pagar pela durabilidade. Hoje, a conversa é outra. Com o lançamento do Adidas Supernova Rise 2, a marca alemã reforça uma tese que, após uma década a acumular quilómetros e uma certificação de treinador, demorei a aceitar: o corredor amador beneficia imenso de tecnologia de elite nos dias fáceis. A grande estrela aqui é a espuma Dreamstrike+. Ao contrário do Lightstrike Pro (usado nos Adios Pro 3 que dominam as grandes maratonas), que é 100% focado em propulsão explosiva, o Dreamstrike+ é uma mistura de PEBA com uma base mais densa, pensada para o conforto diário. A minha dúvida inicial era puramente cética: será isto marketing ou sente-se realmente na estrada? Após testar dezenas de pares ao longo destes 10 anos, aprendi a desconfiar do efeito placebo. Mas aqui a física é pragmática. A espuma oferece um retorno de energia que o EVA tradicional nunca conseguiu, mas sem aquela instabilidade perigosa dos "super sapatos" de placa de carbono que pode comprometer a técnica em ritmos de recuperação.Dica de Treinador: Se és daqueles que usa o mesmo par de sapatilhas de carbono para tudo, tem cautela. As espumas demasiado macias podem sobrecarregar os teus estabilizadores (tornozelos e quadris) em ritmos lentos. O Supernova Rise 2 equilibra isto: é macio, mas oferece uma plataforma estável.
O RunRepeat Lab Test confirma esta densidade equilibrada através de medições de durometer, mostrando que a Adidas encontrou um ponto ideal entre o conforto luxuoso e a firmeza necessária para não afundarmos a cada passada. Para os meus treinos de recuperação de segunda-feira, depois do "longão" de domingo, esta proteção extra nas pernas não é um luxo — é o que me permite voltar à estrada na terça-feira sem dores residuais.
Os números por trás do conforto: Densidade e Geometria
Como entusiasta de dados, não consigo ignorar a geometria deste modelo. O Supernova Rise 2 mantém o drop de 10mm. Para muitos puristas do "natural running", 10mm parece excessivo, mas olhemos para a realidade do terreno em Portugal. Quem corre na calçada, com os seus desníveis e superfícies irregulares, sabe que um drop mais alto alivia imenso a tensão no tendão de Aquiles e nos gémeos durante volumes elevados de treino. A magia técnica reside na combinação da espuma com os Support Rods. Imaginem as hastes de carbono dos sapatos de elite, mas feitas de uma espuma mais densa e integradas na sola para guiar o movimento. Transição: O sistema cria uma passagem calcanhar-dedos mais fluida, ideal para quem aterra com a parte posterior do pé. Estrutura: Quando o cansaço surge ao quilómetro 18 de um treino médio, o sapato oferece um suporte subtil. Não é um sapato de estabilidade pura, mas evita que o pé colapse excessivamente para o interior. Se consultarem o Running Shoe Geometry Guide, verão que drops entre 8 e 10mm são historicamente os mais seguros para a maioria dos corredores que preparam maratonas e procuram prevenir lesões por sobrecarga. A Adidas não reinventou a roda; refinou a mecânica do movimento para o corredor comum.⚠️ Atenção ao ajuste: Na versão 2, a caixa dos dedos (toe box) parece ligeiramente mais generosa, mas o ajuste Adidas continua a ser fiel ao tamanho. Se tiveres o pé largo ou sofreres com o inchaço nos treinos longos, considera meio número acima para evitar as temidas unhas negras.
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